Capas atraentes, títulos sugestivos e um assunto que é bem apetitoso para muita gente: perder peso. entre as dezenas de livros que chegam às livrarias todos os anos, muitos fazem sucesso e até freqüentam as listas dos mais vendidos. mas será que esses best-sellers resultam em dietas eficientes?
Alguns parecem livros de auto-ajuda e, às vezes, até exageram na dose de palavras de estímulo e estratégias de motivação. Outros reforçam os capítulos dedicados ao corte de calorias, com dicas, cardápios e receitas. Varia o estilo e muda também o método. Mas, entre dietas da moda e manuais de reeducação alimentar, a grande maioria pro- mete resultados rápidos na perda de peso e no ganho de auto-estima.Na hora de escolher sua leitura, porém, é preciso prestar atenção a alguns detalhes que fazem toda a diferença -como, por exemplo, se o autor é médico ou nutricionista, se a proposta parece radical ou um pouco excêntrica (dieta da lua, dos quatro dias, do abacaxi, etc.) e se a promessa não é exagerada -algo na linha "perder dez quilos em uma semana".
Às vezes, o conteúdo geral é bom, mas uma ou outra dica equivocada podem comprometer todo o programa. Nesse tipo de leitura, o ideal é não perder o bom senso de vista, desacreditando de tudo o que parecer milagroso ou fácil demais. Confira, aqui, os pontos fracos e também as falhas das dietas propostas em quatro livros lançados nos últimos meses, e veja o que realmente funciona, segundo os especialistas da área.
"A Dieta do Arroz"
PROPOSTA Apesar do nome, o arroz não é o único alimento desse regime. Na verdade, a dieta privilegia os grãos em geral (feijões, cereais e aveias). Mas o ponto central é a restrição ao sódio. De acordo com seus autores, a nutricionista Kitty Rosati e o cardiologista Robert Rosati, a "A Dieta do Arroz - A Solução Definitiva para Chegar ao Peso Ideal com Vitalidade e Energia" (Elsevier Editora) é o programa de emagrecimento mais rápido e seguro em termos médicos. A dieta promoveria perda de peso e desintoxicação, eliminando o excesso de sódio, água e toxinas de alimentos processados. Os cardápios priorizam a ingestão de alimentos frescos e integrais, e sua principal fonte de energia vem dos carboidratos. Segundo os autores, a velocidade do emagrecimento depende de vários fatores, mas, em média, os homens perderiam 14 quilos e as mulheres, 10 quilos já no primeiro mês.
POR QUE NÃO FUNCIONA "É uma dieta muito monótona e, por isso mesmo, traz o risco de ser rapidamente abandonada. Além disso, por ser muito restritivo e praticamente proibir o uso de temperos, principalmente nas duas primeiras fases, o regime se torna enjoativo. Isso faz crescer as chances de a pessoa desistir no meio do caminho. Na prática, quem almoça fora de casa não consegue seguir o programa, já que dificilmente um restaurante tem como preparar pratos sem sal e óleo. Por ser baseada em carboidratos, essa dieta favorece maior perda de massa magra do que o habitual, o que não é bom. O cardápio deveria conter mais proteínas, nutrientes responsáveis pela construção e manutenção dos músculos. Esse tipo de alimentação até pode dar certo em termos de emagrecimento, mas não é eficiente na fase de manutenção de peso. A promessa de perder 10 a 14 quilos no primeiro mês é exagerada: a quantidade de peso eliminado sempre varia de pessoa para pessoa, mas tantos quilos em um mês é muita coisa e certamente não é um emagrecimento saudável. Apesar de os autores falarem em reeducação alimentar na fase três, o conceito, de fato, não faz parte do programa, pois a dieta continua restringindo diversos alimentos."
DICA DA ESPECIALISTA: "Eliminar totalmente um alimento do cardápio pode até ajudar a emagrecer, mas dificilmente a pessoa vai se manter magra. Já quem se reeduca come tudo o que tem vontade, porque aprendeu a não exagerar na dose."
"A Dieta do Mel"
PROPOSTA A ingestão diária de duas colheres de mel antes de dormir ajudaria o organismo a queimar gorduras durante o sono e ainda daria disposição para o dia seguinte. Essa é a tese de "A Dieta do Mel - Como Emagrecer Dormindo", de Mike & Stuart McInnes (Ed. Gente). Os autores, um médico e um farmacêutico, defendem que a pessoa deve comer mel antes das primeiras quatro horas de descanso -quando, segundo eles, o sono é profundo e os sistemas de reparação atingem o nível máximo de atividade. Segundo eles, nesse período a taxa metabólica se eleva e o orgasnimo queima seus depósitos de gordura. O livro sugere, ainda, a prática de exercícios de duas sessões diárias de 15 minutos três vezes por semana, que estimulariam a produção dos "hormônios de reparação", que, assim, ficariam "mais ativos" na queima de gordura armazenada.
POR QUE NÃO FUNCIONA "O emagrecimento é reflexo de um balanço energético negativo, ou seja, perdemos peso quando ingerimos menos calorias e gastamos mais energia. E, quando dormimos, nosso gasto energético é menor e não maior, como afirmam os autores do livro. Do ponto de vista científico, ingerir (ou não) mel antes de dormir não interfere no processo de queima de gordura. E é sempre bom lembrar que o mel, apesar de saudável, é calórico. Os autores afirmam que o cérebro utiliza glicose como fonte de energia, o que é verdade. Isso, no entanto, não significa que precisamos ingerir glicose para alimentar o cérebro, pois o nosso fígado é capaz de transformar carboidratos, proteínas e gorduras em glicose. O grande absurdo da dieta está na promessa de emagrecer dormindo, pois, independente do que ingerimos, nosso metabolismo é naturalmente mais lento nesse pe ríodo do dia. O pico da taxa metabólica se dá, em geral, no meio da manhã e no meio da tarde - e não de madrugada, como diz o livro."
DICA DA ESPECIALISTA: "Mantenha uma dieta equilibrada e de baixas calorias. E pratique atividades aeróbicas pelo menos durante uma hora, três dias por semana. Esse é o 'segredo' para um emagrecimento saudável e efetivo."
"A Dieta das 3 horas"
PROPOSTA Em "A Dieta das 3 Horas" (Ed. Best Seller), o consultor Jorge Cruise afirma que perder peso não exige privações, exercícios, remédios ou cirurgias. Basta comer a cada três horas. Apesar disso, o livro fala em "porções ideais" e descreve um programa "enxuto" de atividade física. A idéia central é fracionar as refeições, comendo em horários fixos, o que, em tese, aceleraria o ritmo do metabolismo. Com essa estratégia, seria possível eliminar cerca de 1 quilo por semana e, de quebra, perder a barriga, já que o método contribui para a diminuição dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, hoje associado à gordura localizada no abdômen. O livro sugere duas sessões semanais de oito minutos de exercícios, com uma caminhada acelerada de dez minutos.
POR QUE NÃO FUNCIONA "A pesquisa de base da dieta está correta. Dividir as refeições acelera o metabolismo e evita a compulsão, o que ajuda a perder peso. Mas o programa peca pela determinação rígida de horários e pela falta de ênfase nas atividades físicas. Sua principal falha é justamente estabelecer horários fixos para as refeições. Isso não é prático nem é o ideal, já que há que se adaptar a dieta ao estilo de vida da pessoa. Sobre a gordura abdominal: é verdade, sim, que comer a cada três horas contribui para a diminuição do cortisol, mas isso não garante uma barriguinha lisa. Acontece que a queda na taxa de cortisol não é tão significativa assim e, além disso, para perder gordura abdominal é preciso aliar a dieta à atividade física -os exercícios incrementam a musculatura e favorecendo a queima de calorias. Exercícios, aliás, são fundamentais: para emagrecer efetivamente, a Organização Mundial de Saúde recomenda a prática de atividade aeróbica, como corrida, esteira ou natação, cinco vezes por semana, durante meia hora, ou três sessões semanais de uma hora."
DICA DA ESPECIALISTA: "Faça um lanche antes do almoço e outro à tarde, sempre à base de frutas, queijo branco, iogurte e pão integral, para manter seu metabolismo em pleno funcionamento."
"A Dieta dos Hamptons"
PROPOSTA Ex-diretor do Atkins Center, o americano Fred Pescatore é apresentado como um dos grandes especialistas na área. No livro "A Dieta dos Hamptons - Os Segredos da Dieta dos Ricos, Famosos e Magros" (Ed. Best Seller), o médico se inspira no perfil e hábitos das celebridades que freqüentam uma das mais badaladas praias da costa leste dos Estados Unidos. Para ficar magro como eles, seria preciso reduzir o consumo de carboidratos e incrementar o de gordura monoinsaturada e ômega 3 (peixes, carnes magras e legumes). No cardápio de 30 dias, o destaque é o caríssimo óleo de macadâmia (no Brasil, a garrafa com 185 ml custa cerca de R$ 50). O livro indica também o uso de suplementos, como a coenzima Q10 e a glutamina.
POR QUE NÃO FUNCIONA Como na conhecida dieta de Atkins, o carboidrato é o grande vilão. A diferença é que, aqui, o autor defende o uso de gorduras mais saudáveis, como a de oliva, e não todas, como em Atkins. Um dos pontos frágeis da proposta é a generalização. Cada pessoa tem uma genética e um estilo de vida diferentes, exigindo rotina de exercícios e alimentação específicas, isto é, nem sempre igual à dos freqüentadores de South Hampton... Seguir a mesma dieta desse grupo certamente não garante um corpo bonito e saudável para todo mundo. Além disso, o programa restringe o consumo de algumas, proteínas, como queijos e carne bovina, indicando a das aves, peixes, nozes e sementes. Recomendável, porém, é comer moderadamente todas as proteínas, inclusive as da carne de porco.O autor também indica alguns óleos e gorduras. Mas o critério parece ter mais a ver com o preço do que com os valores nutricionais de cada produto. O azeite de oliva é tão nutritivo quanto o óleo de macadânia, porém a dieta prega o uso do segundo. Além disso, como a ingestão de carboidratos é restrita, quem segue a dieta pode ter dores de cabeça e mal-estar causados por hipoglicemia. Mais: no quesito 'frutas', a dieta também deixa a desejar. O ideal é comer de três a cinco porções por dia, independente da fruta. Mas a Dieta dos Hamptons restringe muitas delas, como, por exemplo, a banana. Apesar de ser rica em carboidrato, a fruta é fonte de potássio e não deve ser excluída do cardápio. Há, também, um certo exagero na indicação de suplementos, como as pílulas de ácidos graxos essenciais, já que a dieta é baseada em alimentos ricos nesses nutrientes, como óleos vegetais, carnes e laticínios." Tânia Rodrigues, nutricionista da RG Nutri, de São Paulo
DICA DA ESPECIALISTA: "O xis da questão é a quantidade: coma o que quiser, mas sempre em pequenas porções."
"A Dieta das Calorias Inteligentes", de Cesar Pedroso (Matrix Editora): baseado na qualidade e na funcionalidade dos alimentos, o programa conduz ao emagrecimento sem restrições alimentares severas. A dieta foi elaborada e testada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e já está se tornando referência para muitos médicos e nutricionistas.
"A Dieta Definitiva", de Gillian Mckeith (Elsevier Editora). A nutricionista inglesa propõe mudanças simples na alimentação e no estilo de vida, para perder peso e ganhar disposição. O ideal é que a pessoa se preocupe mais com o que come do que com as calorias que cada alimento contém -segundo ela, o poder nutricional dos alimentos é a chave para um emagrecimento seguro e definitivo.
"Comida, um Santo Remédio", de Joselaine Sturmer (Ed. Vozes): a médica parte do princípio de que muitas enfermidades poderiam ser prevenidas ou até curadas através da alimentação. O livro ensina o passo-a-passo da reeducação alimentar como meio de garantir o peso ideal e uma boa saúde.
"A Dieta dos Pontos", de Alfredo Halpern (Ed. Abril): a proposta é atingir o peso ideal comendo de tudo com moderação. A base dessa reeducação alimentar é consumir quantidades permitidas, transformando calorias em pontos, que se tornam familiares ao longo do programa. Para facilitar a tarefa, o livro inclui uma tabela com os pontos de 1.325 alimentos.
"A Dieta do Bom Humor", de Sonia Tucunduva Philippi (Ed. Original): a idéia central é emagrecer com prazer, sem abrir mão de alimentos apetitosos. Mais uma vez, trata-se de aprender a comer na dose certa. Segundo a autora, quem se priva do que gosta por muito tempo fica de mau humor e ainda corre o risco de fracassar na dieta. O livro também traz dicas de como não sair da linha em festas e viagens.